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Aline de Melo
PUBLICADO EM: 26/03/2025 08h13


Do legado à inovação: empresas de São Paulo participam de debate sobre como a sucessão familiar pode enfrentar desafios culturais e tecnológicos?


A realidade brasileira demonstra a necessidade de atualização permanente das empresas de todos os portes para permitir a perpetuidade dos negócios

No Brasil, 91% das empresas são familiares, de acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa realidade faz com que o tema sucessão familiar esteja nos debates de todos os tipos de negócios, dos pequenos aos grandes. Diante de números que apontam a extinção de organizações quando chegam em sua terceira geração, é imprescindível estimular o debate e a reflexão sobre ferramentas a serem usadas para reverter esse quadro. 

É esta a preocupação da Atlas, empresa referência em produtos de pintura, construção e casa, que reuniu 100 dos maiores players do setor de materiais de construções do Brasil, além de clientes do Uruguai, Paraguai, Colômbia e República Dominicana para discutir o tema. O projeto, denominado "Projeto Sucessores - Líderes do Amanhã", ocorreu em Punta del Este, no Uruguai desta vez, e já chega na sua terceira edição. 

 Para o diretor da Atlas, Marcio Atz, o tema sucessão familiar ainda é visto com resistência por muitas organizações e a falta de conhecimento ou disposição para debater o assunto pode comprometer a continuidade das empresas. "Hoje, apenas 25% das empresas desta área vencem a primeira sucessão, o restante sucumbe após 20 ou 30 anos, seja a empresa de pequeno, médio ou grande porte", afirma Atz. "A ideia que temos de desenvolvimento do setor passa pela indústria, comércio e serviços e podemos ajudar ao trazer esse tema tão delicado que é a governança, para que a cadeia do comércio possa se organizar melhor", afirma Eduardo Bettanin, diretor da InBetta, grupo do qual a Atlas faz parte.
O ciclo de conferências foi organizado em parceria com a ISE Business School, uma das maiores referências em escolas de gestão em todo o mundo, além de painel de debates com empresas líderes no mercado de sucessão familiar. A ideia é fazer com que os sucessores absorvam ideias para encontrar soluções diante de problemas e questionamentos na rotina de suas empresas. "É muito importante que as lideranças tenham esse olhar e reconheçam a importância de pensar estratégias para o futuro dos negócios", afirma o professor do departamento de Operações, Tecnologia e Informação e Direção Geral da ISE, Fabio Barbosa. 

A pergunta que abriu a reflexão é: os valores da empresa familiar estão apenas na tradição oral ou já foram institucionalizados? Para Cesar Bullara, diretor e professor do Departamento de Gestão de Pessoas e Professor de Ética nos Negócios da ISE, a cultura funciona como alicerce para a continuidade e sucessão familiar. “A força do valor, continuar caminhando, continuar indo atrás do propósito, é isso que move as pessoas. A cultura é a capacidade despertar essas energias”, afirma o docente.

Já na atualização de tecnologias, o desafio é fazer com que as empresas percebam os benefícios da IA nos negócios. A pesquisa da Boston Consulting Group demonstra que a qualidade aumenta em 40% nas entregas mobilizadas por inteligência e que os processos ocorrem 26% mais rápido.

A explanação sobre Inteligência Artificial, conduzida pela ISE Business School, foi um dos momentos mais especiais de todo o evento para o sócio da Corbella Tintas, de Campinas/SP, Eduardo Rospendowski. Para ele, será importante unir as noções de IA com a aplicação de ferramentas de Recursos Humanos, de olho nas transformações que virão em sua empresa. Assim como o diretor da Corbella Tintas, a diretora comercial da Luitex Máquinas e Ferramentas, de Americana/SP, Fernanda Covolan Lui Ferrari, se mostrou encantada com a abordagem a partir de conceitos da IA. “São informações novas, coisas que nos chegaram aqui de uma forma muito prática e eu consegui entender a forma de raciocínio da IA, algo que eu nunca tinha visto, nem tido acesso a esse conhecimento”, comenta Fernanda.

Luis Fernando Rubo Teixeira, diretor da Corante Tintas, de Osasco/SP, destaca a importância da oportunidade do acesso à tecnologia em meio à possibilidade de troca de ideias. As experiências distintas de cada um, somam umas às outras, segundo ele. “Estou feliz, parabéns à Atlas por tudo o que foi feito”, comenta. Da mesma forma, Marcos Atchabahian, diretor geral da Village Home Center, também de Osasco/SP, se mostra satisfeito com as relações construídas ao longo do evento. O fato de conhecer pessoas novas, com visões inovadoras e que trazem novidades aos negócios, para ele é um dos pontos altos do Projeto Sucessores. “Eu vejo aqui filhos dos meus amigos participando do evento, e isso é muito bom, dá sequência nas empresas”, diz Teixeira. Ele destaca o quanto se sentiu tocado com a fala do diretor geral da Atlas, Marcio Atz, que falou sobre as dificuldades e os desafios enfrentados durante a histórica enchente em maio de 2024 que atingiu os gaúchos. “O depoimento dele simboliza toda a equipe da Atlas”, afirma.

O Painel de Debates com participação de Marco La Rosa de Almeida, Sócio da Lobo de Rizzo, Igor Batista, Sócio da JK Capital, Fábio Roberto Gomide, Presidente da Condor Atacadista e Rodrigo Cassol, Presidente do grupo Cassol abordou temas relacionados à trajetória profissional, transição de carreiras, papel do sucessor executivo, riscos e retornos, formas de remuneração dos sucessores, dificuldades na sucessão, relação com acionistas  além de outras abordagens práticas do mercado.

A programação turística e gastronômica à qual os participantes tiveram acesso, também é vista por Bettanin como uma excelente oportunidade de interação e networking. A programação contou com interação a espaços como Vinícola Narbona, Museo de Arte Contemporáneo Atchugarry (MACA), Restaurantes OVO Beach e Muelle e Enjoy Punta del Este Resort e Casino, que recepcionou o encontro. “Esse evento é um trabalho ímpar da Atlas, que vem assumindo esse papel que, aparentemente, não seria de um fabricante e fornecedor, mas que é importante para a evolução dos negócios", conclui Bettanin. Os líderes que estiveram em Punta del Leste participaram também do curso “A Identidade do Vinho Uruguaio - Muito Além do Tannat”, com criação do Sommelier Jerónimo Tellarini, diretor da Escola de Sommeliers do Uruguai.

O evento teve como apoiadores as empresas ArcelorMittal, Mundial Prime, Viapol, Suvinil, Marluvas, e Max Ferramentas, além do Ministério do Turismo do Uruguai.  

Sobre a Atlas  

  

A Atlas desenvolve negócios e produtos para pintura, construção e casa há 58 anos. Integrante da Holding InBetta, a empresa possui duas unidades fabris, uma em Esteio/RS (40 mil m2) e outra em Paulista/PE (30 mil m2), além dos centros de distribuição no RS, SP e PE, totalizando 568 colaboradores. Na linha Atlas Pintura e Construção, o portfólio da empresa conta com mais de 1000 itens e na linha Atlas Casa o catálogo chega a 500 opções. Atualmente, a empresa exporta para mais de 50 países da América do Sul e América Central, além de alguns países na América do Norte, Europa e África. Presente em grande parte das lojas de materiais para construção, lojas, ferragens, home centers e lojas de tintas do Brasil e exterior, a Atlas é premiada frequentemente pela busca da qualidade no atendimento a seus clientes, distribuidores, atacadistas, varejistas e consumidores finais.   

 

 







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