Hosana de Lourdes, com Lado B
PUBLICADO EM:
28/01/2025 06h38
Lado + Social: David Cardoso, aos 80 anos, reflete sobre sua trajetória e critica a falta de memória cultural no Brasil
Foto: Reprodução Lado B
Aos 80 anos, o ator e diretor David Cardoso carrega um tom saudosista ao recordar sua trajetória artística e as transformações que presenciou ao longo de décadas. Nascido em Maracaju, cidade que no ano passado celebrou seu centenário, ele se emocionou ao lembrar que, quando veio ao mundo, o município tinha apenas 20 anos de fundação. “Não tinha luz, água, trem, nada. Meu pai era comerciante lá. Hoje, Maracaju é a quinta potência do estado. É uma cidade brilhante”, comentou.
David revelou sua conexão com a cidade ao mencionar o apoio que recebeu para a produção de seu último filme, “Eu, Sem Defesa”. A colaboração da Prefeitura e de moradores locais foi essencial para viabilizar o projeto. “Você tem que ter essa ajuda. Não tem dinheiro, mas te dão hospedagem, estadia, ônibus. Foi no custo. Maracaju sempre esteve comigo”, relembrou.
O ator também revisitou as origens de sua paixão pelo cinema, que começou em São Paulo, onde viveu parte da infância. Ele recorda a primeira vez em que foi ao cinema, levado pela tia, usando uma capa do Batman. “Eu tinha 8, 9 anos e vi um filme 26 vezes em uma semana. Foi aí que decidi: quero ser artista.” Apesar das expectativas da família para que seguisse a carreira de advogado, David seguiu seu sonho, chegando a trabalhar na Folha de São Paulo antes de ingressar na indústria cinematográfica.
Um dos marcos de sua trajetória foi o encontro com Amácio Mazzaropi, um dos maiores produtores independentes do cinema brasileiro. “O Mazzaropi nunca precisou de recursos externos. Ele era o maior, um gênio”, comentou, relembrando com carinho os ensinamentos que recebeu do lendário caipira das telonas.
David também fez críticas à falta de reconhecimento de ícones culturais brasileiros. Apesar de elogiar a criação da Lei Paulo Gustavo, que incentiva a cultura, ele questiona por que nomes como Chico Anysio, Anselmo Duarte ou Ronaldo Golias não receberam homenagens semelhantes. “Nesse país, não existe memória. Lá fora, em Buenos Aires, você entra em bares e vê fotos do Carlos Gardel, velas acesas, homenagens. Aqui, parece que esquecem tudo.”
Apesar das críticas, David se mantém resiliente e conectado às suas raízes e ao estado que tanto ama. “Eu sinto falta de aproximação, de amor, principalmente aqui no meu estado. Em São Paulo, quando vou, sou reconhecido e respeitado. Aqui, às vezes, parece que incomodo.”
Com uma carreira marcada por filmes que fizeram história no cinema nacional e um olhar nostálgico sobre o passado, David Cardoso segue firme como uma figura importante para a cultura brasileira, mantendo vivo o legado que começou lá atrás, em Maracaju. David Cardoso encerrou a entrevista contando que não tem e não usa celular e que é um defensor da natureza e do meio ambiente. Fazem 30 anos que ator e produtor reside em Mato Grosso do Sul, nesse período fez 11 filmes o ultimo deles "Sem defesa" produzido em Maracaju. David contou que não perde noite de sono dorme as 22horas, malha todo dia, toma de 3 a 4 doses de whisky diariamente, gosta de uma carne gorda, e vive bem, "não sei até quando meu corpo vai aguentar, mas vivo bem, tem finais semana que tem vinte pessoas, tem semana que só eu e Deus, aqui em Terenos," finalizou.
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